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OKNOTOK

Artista: Radiohead
Data de lançamento: 23 de junho de 2017



         Conhecendo-me (bem ou mal) seria já previsível iniciar um blogue de reviews com algo dos Radiohead. Mas, se é para começar, ao menos que se comece com algo de excelência! E, com isto, aproveito a celebração dos 20 anos do OK Computer, ou melhor dizendo agora, OKNOTOK, para vos trazer aquilo que é a minha opinião sobre esta masterpiece de 1997 e as 3 "novas/velhas" músicas compiladas nesta sua nova versão. 
         Começando em 1997. Um belo ano para a música, e, consequentemente, um belo ano para existir, que pena ainda não me terem parido nessa altura. Assistimos ao 3º álbum dos Radiohead, um álbum inteiramente inesperado vindo de uma "bandaseca" de garagem de Oxford que, até ao momento, apenas era conhecida por I'm creep, I'm a weirdo, what the hell am I doing here (etc, etc, já todos sabemos) e pouco mais, como High And Dry, do 2º álbum, The Bends. OK Computer vem revolucionar todo o mundo da música, com uma redefinição de sons e algo que nunca tinha sido alcançado antes. Se me perguntassem um único verso para sintetizar este álbum seria "Fitter, happier, more productive". Irónico ser um verso da única música que não considero que seja "uma música", não no seu conceito habitual. Todo o álbum gira à volta de uma crítica ao consumismo constante e desafogado, no entanto, natural para sobrevivência, da humanidade, e de todas as futilidades da vida a que somos sujeitos todos os dias. 
        E isto, arrasta-se até 2017, com o lançamento de OKNOTOK, composto por remasterizações das músicas de OK Computer e o lançamento oficial de 3 músicas, até ao momento apenas interpretadas em concertos. E em que, mesmo passados 20 anos, tudo o que é criticado a nível lírico permanece tão, ou mais, atual. Podemos verificar isso em Man Of War (ou "Big Boots") onde, condizendo com os sons obscuros e duvidantes na intro, Thom descreve toda uma conspiração e paranóia constantes ("the worms will come for you, big boots"), realçando no primeiro verso uma ideia de isolamento e dependência perante as tecnologias ("So unplug the phones, stop all the taps/It all comes flooding back/To poison clouds and poisoned dwarves"), o que demonstra toda uma envolvência com o vídeoclipe, em que nos é apresentado alguém que é perseguido ao longo de todo o vídeo, passando uma ideia de ansiedade e, diria até, frustração, que também está presente em Lift, mais um dos clássicos "perdidos". 
       No entanto, em Lift fala-se sobre alcançar um "sítio" de paz, após uma viagem de medo e agonia ("This is the place/ Sit down, you're safe now") realçando uma ideia de libertação ("You've been stuck in a lift") e em "We've been trying to reach you, Thom" toda a música se torna mais pessoal, percebemos que Thom Yorke fala diretamente para ele próprio, dizendo que algo ou alguém tentava falar com ele mas que apenas "agora" o tinha conseguido alcançar. 
      Já em I Promise a história muda de cenário. Somos saudados com um ritmo sempre linear e calmo, que se assemelha a uma balada, como em High And Dry, e Thom fala-nos sobre o compromisso numa relação e sobre todas as declarações que alguém faz numa relação de modo a que esta se mantenha, mesmo que para isso tenha de sofrer ou fazer sacrifícios ("Even when I get bored I, promise/ Even when the ship is wrecked, I promise"). Muitos indicam que esta possa ser a música que é o "coração" do álbum por poder estar relacionada com o relacionamento de Thom com Rachel Owens, sua ex-mulher, a quem o álbum é dedicado.
      Escusado será dizer que ao longo destes 20 anos tudo aquilo que foi feito permanece da mesma forma actual, e que tão cedo não voltaremos a ter um OK Computer.


Nota: clássico/5

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