Data de lançamento: 22 de agosto de 1994
Sem sombra de dúvida que Dummy se apresenta no mundo da música como sendo um sucessor do primeiro trabalho dos Massive Attack, Blue Lines, o icónico álbum que desencadeou o Trip-Hop aos ouvidos do mundo. Mas, antes de falar da masterpiece dos Portishead, vou responder a pergunta que alguns de vocês se podem estar a perguntar neste momento: "Trip-Hop? Será que ela quis dizer Hip-Hop?" - Não, não quis. Como disse, o Trip-Hop nasceu com Blue Lines, que inicialmente foi reconhecido como sendo um dos melhores álbuns de Hip-Hop de sempre. No entanto, "Hip-Hop" era um conceito demasiado limitado tendo em conta aquilo que fora feito em Blue Lines, que apesar de ter bases de Hip-Hop, destacava-se por ser mais calmo, mais psicadélico e mais experimental, daí Trip-Hop.
Avançando então 3 anos na história da música desde Blue Lines, surge Dummy, um pilar essencial no Trip-Hop, que nos traz com ele novidades, tais como o facto de ter Beth Gibbons, uma cantora - sim, cantora - e não ter qualquer tipo de rap. Já para não falar no facto de todos os instrumentos terem sido gravados ao vivo, à exceção da bateria em "It Could Be Sweet". (Já é suficiente para fazer ouvir isto quem ainda não o fez?)
No entanto, é importante acrescentar que Beth Gibbons não era só mais uma cantora. A voz de Beth foi uma das grandes razões por este álbum ter chegado onde chegou. Foi considerada uma das vozes mais bonitas da época, e até, comparada a outras grandes vozes da música como, Billie Holiday, Nina Simone e Sandy Danny. Beth cantava com alma, de forma subtil, mas poderosa, tanto que é-lhe impossível ficar indiferente.
Mas, não desvalorizando os outros dois membros da banda; Geoff Barrow, o essencial multi-instrumentista, fundador da banda que tem créditos nas letras de todas as músicas, e Adrian Utley, um nobre guitarrista de jazz a tentar safar-se no século XX. Porém, Utley rapidamente conseguiu afirmar-se, a si e ao seu estilo. Todas as "guitar parts" neste álbum são excelentes e trazem sempre consigo um pouco de jazz que encaixa na perfeição com a "psicadélia" e subtileza do álbum. E um bom exemplo disso é o seu trabalho em "Glory Box" que constitui um dos pontos mais altos no álbum.
"Primeiro estranha-se, depois entranha-se" - isto é o que resume em poucas palavras o que é o Dummy. Ouvido à primeira vez, vai soar estranho, frio, desconfortável. Mas, sem que nos apercebamos já vamos estar a dançar a "It Could Be Sweet" pela sua boa vibe de jazz e soul e pô-la em repeat até já cantar-mos «You don't get something for nothing, turn down». O que acontece com este álbum é que depois de embrenhado em todo o nosso sistema, nos vamos aperceber do quão minucioso e bem executado ele está. Começando pela forma subtil como fazem chegar "Glory Box". O auge. Quer seja pela musicalidade, quer seja pela letra poderosa sobre os direitos das mulheres, que não deixa ninguém indiferente.
Outro aspecto interessante no álbum é o facto de toda a sua musicalidade ser inclinada para o cinema, como se todas as músicas pudessem eventualmente fazer parte da soundtrack de um filme. No entanto, talvez o que mais goste em Dummy seja a versatilidade do mesmo e poder que tem de agradar a todos os ouvidos.
Musicas recomendadas:
- Glory Box
- It Could Be Sweet
- Pedestal
Nota: clássico/5

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